Parto Natural – Três vezes mais seguro para mães e bebês

Uma pesquisa financiada pela ANS, realizada nos hospitais privados do Rio de Janeiro, constatou que 70% das mulheres gostariam que o parto fosse normal, mas 90% das gestações terminam por meio de cesáreas. Esses dados são alarmantes e mostram uma triste realidade. E para reverter esse quadro é preciso conscientizar as mulheres dos benefícios do parto natural e dos riscos de uma cesárea.

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parto natural
No Brasil, cerca de 84% dos partos realizados pelos planos de saúde são cezarianas, no sistema público o número cai para 40%. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é que apenas 15% dos partos sejam cesáreas, visto que o parto natural chega a ser quase três vezes mais seguros para mães e bebês. Um estudo publicado na Lancet, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo, mostra que uma cesariana desnecessária coloca em risco a vida tanto da mulher como do bebê e dá um alerta aos futuros pais e mães. De acordo com o estudo, nas últimas quatro décadas as taxas de cesarianas desnecessárias cresceram de modo assustador.

 

A ANS afirma que é fundamental envolver toda a sociedade nesta discussão, a fim de reverter esta realidade. Uma pesquisa financiada pela ANS, realizada nos hospitais privados do Rio de Janeiro, constatou que 70% das mulheres gostariam que o parto fosse normal, mas 90% das gestações terminam por meio de cesáreas. Esses dados são alarmantes e mostram uma triste realidade.

 

Toda mulher tem direito a um parto mais acolhedor, sem a realização de procedimentos médicos desnecessários e com o acompanhamento de uma pessoa da sua escolha, um parto natural. De acordo com Jorge Francisco Kuhn dos Santos, professor de obstetrícia na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), diz que o caminho para reverter essa situação é através da conscientização: “É fundamental que a mulher esteja mais bem-informada sobre a necessidade de fazer ou não uma cesariana para seu bebê nascer. Somente quando as mães souberem que o cordão umbilical enrolado no pescoço ou a redução do líquido amniótico por si só não representam obrigatoriamente a necessidade de parto cesáreo é que vão lutar para melhorar esse quadro”.

 

Nove entre cada dez mulheres que já haviam experimentado tanto o parto natural como a cesárea preferem o parto natural. Um dos motivos mais citados por essas mulheres é que a dor do parto normal é forte, mas passa.

 

Muitas mulheres aceitam fazer o parto cesariano por influência dos médicos, e caso ele diga que o bebê está com algum fator de risco para o nascimento a mães se sujeitarão a qualquer coisa. Uma forma de ajudar nesse momento de dúvida em relação ao parto é consultar um segundo médico, afinal não se pode desconsiderar o fato de que 65% das cesáreas são consideradas desnecessárias.

 

Dados do Ministério da Saúde indicam que a mulher que opta pela cesariana tem risco de vida seis vezes maior em relação a mulher que opta pelo parto normal. A cesárea aumenta as chances da mãe contrair uma infecção ou ter uma hemorragia e quadruplica os riscos de o bebê ir para a UTI. Os partos que apresentam maiores riscos são as cesária eletivas, ou seja, quando agendam o nascimento do bebê, pois muitas vezes o bebê nasce antes da hora, o que é um dos fatores principais para a causa de alta morbimortalidade perinatal, que é a soma de deficiência física em recém-nascidos. Além disso, segundo estas pesquisas, os bebês que nascem com 37 ou 38 semanas têm 120 vezes mais chances de ter problemas respiratórios do que os que nascem na 39º semana.

 

De acordo com o “Guia dos Direitos da Gestante e do Bebê”, publicado pela UNICEF e pelo Ministério da Saúde, “A cesariana desnecessária é inaceitável. Mas, se for preciso ela deve ser realizada somente depois do início do trabalho de parto. A natureza tem ritmos e razões que cesarianas com hora marcada por conveniência desrespeitam. Se tudo vai bem, a cesariana é desnecessária mesmo para parto de gêmeos (ambos com cabeça para baixo), prematuro, gestante adolescente e mulheres com hipertensão moderada”. Algumas vezes a escolha pela cesárea é feito com base em motivos banais – como data de aniversário, que não seja no feriado, mês e signos preferidos – esquecendo de pensar no principal: a saúde da mãe e do filho.

 

O parto natural ocorre sem intervenções, sem anestesia, muitas vezes ele é realizado em casa, mas pode acontecer no hospital, desde que não utilize intervenções como anestesia e aceleração com soro. O parto natural não é o mesmo que parto humanizado, este último possui diferentes definições que você pode conferir em um outro post publicado aqui no blog, clique aqui para conferir.

 

No parto natural a recuperação da mãe é mais rápida. “Além disso, durante esse tipo de parto, o organismo materno produz hormônios como prolactina e ocitocina, que são fundamentais para ajudar a acelerar a produção de leite. Quem faz cesárea não produz a quantidade suficiente desses hormônios e o leite demora a descer”, afirma o obstetra Jorge Kuhn, um dos fundadores da Casa Moara, espaço dedicado às mulheres grávidas em São Paulo no portal do Governo Federal.

 

Conheça a verdade sobre alguns mitos relacionados ao parto:

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– Antes do trabalho de parto é impossível saber se a mulher terá ou não dilatação suficiente para o bebê nascer, casos como esses acontecem em apenas 5% dos partos.

– Os bebês costumam nascer entre a 37º e 42º semana gestacional, se o pré-natal for adequado e todos os exames comprovarem o bem-estar do bebê não há preocupação em ele “passar da hora”. Apenas se os exames comprovarem diminuição da vitalidade do bebê é que o parto pode ser induzido.

– O bebê não pode sufocar com o cordão umbilical, pois o mesmo é preenchido com uma gelatina elástica, que faz com que o cordão se adapte a diferentes formas. Portanto, o cordão enrolado no corpo ou pescoço do bebê não são indicativos de que seja necessário um parto cesariano, isso apenas poderia acontecer caso o cordão estivesse comprimido (esmagado), isso sim faz com que a oxigenação do bebê fique comprometida.

Depois que a bolsa rompe o líquido amniótico continua se acumulando no útero, apesar de muitos acharem que o líquido seca e dificulta o parto. E além do líquido, o colo do útero produz muco continuamente, que serve como lubrificante natural para o parto.

É um mito que a cesariana poupa a mulher totalmente da dor, afinal, trata-se de uma cirurgia e sua recuperação é muito mais lenta, e em alguns casos, dolorosa a ponto de exigir o uso de analgésicos para aliviar o desconforto. Além disso, a cicatriz no útero deixada pela cesárea terá efeito na próxima gravidez, podendo causar problemas como placenta prévia e deslocamento prematuro da mesma.

O bebê não sofre durante o parto normal, muito pelo contrário, os mecanismos naturais do parto preparam o bebê para nascer, por exemplo as contrações, que funcionam como uma “massagem”, que favorece a expulsão dos líquidos pulmonares do bebê e consequentemente tornando-o mais bem adaptado para respirar. Já o bebê retirado do útero com hora marcada não tem a chance de passar pelos processo naturais do parto.

– A anestesia peridural não é a única forma de eliminar a dor, existem métodos não invasivos para o alívio da dor na hora do parto como massagens na região lombar, banho com água morna, caminhada e mudança de posição.

 

Diante de tantos fatores favoráveis ao parto natural é de se espantar com a quantidade de cesárias que acontecem diariamente. Como podemos notar, a principal causa disso é a falta de informação, portanto se você leu esse texto até aqui, compartilhe com suas amigas, afinal muita gente pode não conhecer os riscos envolvidos nos partos agendados e não entender a importância de que o nascimento de uma criança aconteça de forma natural e saudável. E lembre-se: o direito de escolher como quer dar à luz é da mulher.

 

Fontes: Parto Natural, Agência Nacional de Saúde, Organização Mundial de Saúde, Revista Pesquisa Fapesp, Amigas do Parto.

 

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