Birra de criança: aprenda como lidar

Quem nunca presenciou uma criança fazendo birra? Se você já passou por essa situação constrangedora - calma, nem tudo está perdido! Entenda o motivo de agirem assim e como lidar com elas nesse texto da psicopedagoga Cynthia Pereira.

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Por Cynthia Pereira, psicopedagoga especializada em Gestão Escolar e Desenvolvimento Infantil.

Choros estridentes, gritos, socos e pontapés. Se a situação é constrangedora sendo com a criança de um desconhecido, imagine quando o filho é seu? Os motivos geralmente são simples, como não querer comer na hora imposta, tomar banho, desejar um determinado brinquedo na loja ou uma guloseima no supermercado. Acontece que algumas crianças contestam mais do que outras as regras e limites impostos pelos pais. E aí vem a raiva, o chororô e muita chantagem emocional.

Mas afinal, o que elas significam?

As birras fazem parte do comportamento infantil e são uma tentativa das crianças de criarem independência para expressar suas vontades. Nessa fase elas ainda estão aprendendo a lidar com os limites e ainda não conhecem outras formas de reagir. Muitos pais, por culpa ou falta de paciência, acabam neste momento, cedendo aos pedidos dos filhos para evitar o estresse e os constrangimentos das birras. Isso pode fazer com que a criança se torne ainda mais autoritária e crie a sensação de que sempre consegue tudo o que deseja.

O que fazer?

A solução para essa fase – que não deixa de fazer parte do desenvolvimento dos pequenos – não envolve gritos, puxões de orelha ou palmadas por parte dos pais, mas sim firmeza e autoridade.

7 passos para fugir da birra

  1. Mantenha a calma

Não eleve o tom da voz, respire fundo, seja claro e não se alongue quando se dirigir a criança.

  1. Ignore

Pode parecer muito rude, mas dessa forma você estará mostrando a criança que a atitude dela não causará o efeito desejado. E, com o passar do tempo, ela irá perceber que sua birra não levou a nada.

  1. Não seja agressiva

A birra é uma forma de agressividade que a criança usa para mostrar que algo não está da forma que ela gostaria.  E ao entrar nessa sintonia você só deixará a criança ainda mais inquieta.

  1. Não ameace com castigos que não possam ser cumpridos

Se optar por essa estratégia, fale de coisas que saberá que conseguirá cumprir.

  1. Não é hora para conversar

As crianças não darão ouvidos a conversas no momento em que estão fazendo birra. Nesse caso, o melhor é esperar esse momento passar e aí sim investir em uma conversa breve e direta, explicando que a atitude dela não foi adequada.

  1. Nomeie sentimentos

Espere a birra passar, converse com a criança e diga que você entendeu a frustração dela, auxiliando a traduzir o sentimento em palavras. Dessa forma a criança entenderá que ao invés de chorar e espernear ela pode simplesmente conversar e explicar por que está chateada.

  1. Birras em locais públicos

O ideal é sair com a criança daquele local até que ela se acalme. Fazê-la se distrair ou rir com outra coisa pode ser uma boa estratégia.

Estopim para as birras

Evite situações que possam gerar os ataques de birra, por exemplo, se a criança fica muito mal humorada quando está com fome. É aconselhável manter pequenos lanchinhos ao alcance, na bolsa ou no carro, para oferecer à criança.  Vá informando sempre as transições de atividades para que a criança possa se preparar: “depois que você acabar de ver esse desenho, nós vamos jantar.”

Consequências das birras não trabalhadas

Se a birra não for trabalhada a criança se tornará um adolescente, depois um adulto, e ainda continuará fazendo birra. Ela não se jogará mais no chão, mas será uma pessoa intolerante, infeliz, irritada, agressiva e depressiva, uma vez que o mundo não dá o mesmo sim incondicional dos pais.

É só uma fase!

Felizmente a fase da birra é realmente passageira. Logo ela se extinguirá e trará os benefícios do desenvolvimento. Porém, caso note que a fase já deveria ter passado, ou a criança tenha birras muito frequentes, é recomendável buscar a avaliação do seu pediatra ou um profissional da área da saúde emocional, como psicólogos.

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