Ong Brasil: Apoio, uma instituição para crianças carentes

A Ong Apoio é uma instituição que se preocupa com as crianças que estão nas ruas e buscam lares e escolas para que os pequenos finalmente encontrem o seu final feliz. Fizemos uma entrevista com a Psicóloga Luara Assis que trabalha na Ong e nos contou um monte de coisa super interessante. Venha conferir a matéria e lembre-se de que você também pode ajudar!

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Ong Brasil Apoio - Tricae

O assunto de hoje é um pouco delicado e pode deixar as mamães emocionadas, mas certamente retrata uma história repleta de amor e carinho pelo próximo. Fizemos uma entrevista com a psicóloga Luara Assis Brasil Almeida, de 25 anos, que trabalha na ONG Apoio, destinada à ajudar crianças e adolescentes que estão na rua. Diante dos depoimentos, você poderá ter um pouco mais de fé na humanidade e ter a certeza de que existem pessoas que, assim como a Luara, se preocupam com o dia a dia das crianças de rua. É possível sim reverter o quadro e transformar histórias que só precisam de um lindo final feliz.

Não deixe de conferir a entrevista e dedique um pouco do seu tempo para refletir sobre as condições do mundo em que vivemos. Essas crianças não precisam só do apoio de uma ONG como também de todos os outros brasileiros.

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Luara, você pode nos contar um pouquinho sobre você?

Meu nome é Luara Assis Brasil Almeida, tenho 25 anos e sou formada pela PUC-SP, com término do curso em Dezembro de 2012. Atualmente estou no meu primeiro emprego na área e entrei em Dezembro de 2013, ou seja, fiquei um ano praticamente na labuta de recém-formada.

Nos fale um pouco sobre o seu trabalho.

Trabalho em uma ONG chamada APOIO que tem parceria com a Prefeitura de São Paulo. Me dedico quase que em tempo integral à um projeto chamado “Atenção Urbana Criança e Adolescente”, em Santa Cecília, que atua com crianças e adolescentes em situação de rua, onde há uma equipe de orientadores socioeducativos que realizam abordagem social com elas.

Há uma equipe técnica formada pelo Gerente de Serviço, pelo Assistente Social, pelo Psicólogo, pelo Auxiliar Administrativo e outros profissionais que se dedicam de corpo e alma para coordenar a nossa equipe de orientadores. Eles são responsáveis, portanto, por dar todo o suporte para o trabalho com essas crianças e adolescentes. Também realizamos relatórios, acompanhamentos de casos de maior complexidade, participação em reuniões e seminários que envolva o tema da criança e do adolescente.

Quantos anos tem essas crianças? Como funciona a abordagem nas ruas?

A faixa etária que atendemos é de 0 a 17 anos, mas a maior parte das crianças está com com cerca de 15 anos de idade. Quando a criança e/ou adolescente está em situação de rua e se encontra sozinha, sem família ou adulto responsável, a equipe de orientadores socioeducativos realizam um atendimento, perguntando o motivo por estar na rua, há quanto tempo, se há algum familiar que tenha contato, entre outras perguntas mais frequentes.

Caso a criança não queira falar sobre a família ou sobre sua vida, o que normalmente acontece, é oferecido o serviço de acolhimento para que os pequenos consigam mudar de vida. A partir daí, a equipe técnica solicita a abertura de vaga para o serviço de acolhimento ao Conselho Tutelar da região que a criança e/ou adolescente se encontra. Enquanto a vaga não é liberada, encaminhamos ao ECCA (Espaço da Criança e do Adolescente) para que possa ser realizado a higienização, alimentação e oficinas e/ou atividades lúdicas.

A rotina dessas crianças é muito dura diante de tantos fatores que as levam a morar nas ruas. São famílias que já estão fragilizadas com uma dinâmica desestruturada, geralmente causada pela violência doméstica, uso de drogas, desemprego, falta de moradia, entre outros fatores e, por isso, a abordagem precisa ser feita com bastante carinho e paciência.

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A terapia pode ser feita com crianças de todas as idades?

O nosso serviço não realiza atendimento psicológico com as crianças, exceto casos de extrema complexidade, que assim propomos acompanhar o caso junto a outros equipamentos, como exemplo o Creas ou Cras. O que fazemos é encaminhar as crianças para que elas consigam sair de um buraco que parece não ter fim.

Não há um critério de idade para o atendimento psicoterápico, isso falando na área da psicologia clínica e, por isso, todas as crianças podem ser atendidas, independentemente da idade. Ainda assim, o atendimento psicoterápico infantil é encaminhado por meio de alguma queixa, seja ela escolar, familiar ou de vizinhos mais próximos. Nestes casos, os pais e/ou adultos responsáveis percebem que algo na criança está fora de um padrão, com um comportamento inadequado.

E quando vocês resolvem levar as crianças para os abrigos, a maioria aceita bem a ideia?

Então… A gente trabalha com o livre arbítrio deles, mas é claro que fazemos uma sensibilização quanto aos riscos físicos e sociais deles estarem expostos na rua. Tem aqueles adolescentes que estão na rua e não querem sair delas, pois “gostam da liberdade”, mas cada caso é um caso. Há aqueles que ficam abrigados por um breve período de tempo e logo querem voltar para as ruas, aqueles que passam por diversos abrigos e não constroem vínculos com nenhum serviço e/ou profissional e aqueles que aceitam a ajuda e agarram firme essa grande oportunidade. Os últimos, obviamente, são os que nos deixam mais felizes.

Você tem alguma história com final feliz para nos contar?

Acompanhei uma criança que voltou pra casa e o resultada foi incrível. A gente trabalha com retorno familiar, abrigamento O menino que eu acompanhei estava dentro do Programa Braços Abertos, junto com a sua mãe, com a finalidade de sair das ruas. Ele estava há três meses sem ir à escola porque havia fugido da casa do pai e entrado nessa vida desregrada.

Conseguimos uma vaga para ele na escola próxima ao hotel em que ele morava e também no CCA (Centro de Convivência Criança e Adolescente). Assim, ele ia para o CCA de manhã e a tarde ia para a escola, ou seja, nós conseguimos reincerir essa criança na educação.
A grande vantagem é que além dele ter um ambiente para adquirir conhecimento, também não ficou ocioso e exposto ao ambiente hostil das ruas de São Paulo. Até hoje o pai do menino nos liga emocionado agradecendo tudo o que fizemos pelo seu filho e muitas vezes aparece aqui para nos dar um abraço.

Por mais que eu encare meu dia a dia como uma forma de trabalho, não tem como deixar de lado a emoção de conviver com histórias de superação tão lindas como essas, que sem dúvidas retratam um final feliz.

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Quando vocês conseguem mudar a vida de uma criança, qual é a sua sensação, considerando o lado profissional e pessoal?

Falando por mim, quando eu iniciei eu ficava frustrada muitas vezes por não conseguir um resultado imediato. Mas com o tempo você vai vendo que essa é uma expectativa inapropriada ao serviço, pois nada é realizado de uma hora para outra e sim com a aproximação e a criação do vínculo com o atendido, que pode ser criado em um dia ou a partir de meses de trabalho, depende muito da criança.

Eu costumo trabalhar com questões emergenciais e não vou poder mudar a realidade social daquela criança ou adolescente, mas posso contribuir para encaminhar e ajudá-los nas questões mais emergentes. Acho que a maior lição do trabalho é essa mesma: de trabalhar junto com a realidade da criança e/ou adolescente, pois nem tudo que eu acho que seja bom pra mim será pra eles, e junto com os atendidos criar um melhor plano e encaminhamento da situação e história pessoal.

Como vocês podem ver, existem muitas crianças que dependem da ajuda da ONG Brasil Apoio, da Luara e da nossa. Toda criança merece um quarto para dormir! O mais legal de tudo é que você pode ajudar e muito fazendo uma doação para esta instituição que promove gestos tão lindos com as crianças do nosso Brasil.
Conversamos com a Luara e você poderá doar livros infantis e roupas, tanto de frio quanto de calor. É um pequeno gesto que com certeza fará muita diferença na vida de todas essas crianças. Contamos com sua colaboração!

Para ajudar, basta enviar os livros e/ou as roupas para a Ong Apoio.
Endereço: Rua Francisca Miquelina, 343 – Bela Vista – São Paulo.
Telefone: 3101-2431
Para maiores informações, acesse o site clicando aqui ou entre em contato pelo e-mail: a.santacecilia@apoio-sp.org.br

Contamos com a ajuda de todas vocês! E você, mamãe, já fez a sua boa ação do dia?

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