Adoção: conheça três histórias emocionantes!

Adotar uma criança é uma grande responsabilidade, já que os pequenos precisam de todos os cuidados necessários. Ainda assim, é algo que possibilita um amor sem fronteiras, criando pessoas repletas de momentos felizes e de muito amor no coração. Adotar é, sem dúvidas, um gesto bonito e emocionante, que só traz benefícios a todos os envolvidos. Venha conferir três histórias reais e emocionantes!

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Entrevistamos três famílias* que decidiram adotar um ou mais filhos e descrevem o amor incondicional pelas crianças. Cada uma das histórias apresenta diferentes particularidades capazes de emocionar qualquer pessoa.

*Trocamos os nomes da família Dante e da família Matias, para preservar a identidade das crianças e dos pais.

Família Oliveira

Conversamos com a mamãe Enrica Oliveira.

Adoção: conheça três histórias emocionantes!
Foto: Arquivo pessoal
Conte um pouco sobre a sua história com o seu marido e sobre os seus filhos.

Eu e meu marido nos casamos com 22 e 23 anos, respectivamente, e namoramos por 5 anos. Tivemos três lindos filhos: Juliana, Guilherme e Gabriela, sendo os dois últimos gêmeos e filhos biológicos. A Juju, por sua vez, é adotada.

Você sempre quis ter filhos?

Eu só comecei a pensar em ter filhos depois que me casei, mas, ao fazer exames de rotina, descobri que tinha endometriose, o que dificultaria uma futura gravidez.

Por que vocês decidiram adotar?

Tentei engravidar durante anos por meio de tratamentos hormonais e pequenas cirurgias. Meu marido costumava sugerir a adoção como uma alternativa, porém eu hesitava. Eu já tinha tentado muito quando comecei a sentir que eu tinha fracassado, coisa que eu não sabia lidar muito bem. Era como se eu estivesse desistindo de ser mãe.

Um tempo depois, um casal de amigos entrou em um processo de adoção e estava muito feliz com a chegada de um lindo menino. Inspirados, procuramos o mesmo caminho e felizmente tudo deu certo para que tivéssemos nossa primeira filha. Apesar do processo de adoção ser bem complicado e demorado, percebi que era o início de uma linda família. Hoje sei o quanto tudo isso valeu a pena.

Quantos anos a Juliana tinha quando chegou na sua casa?

Ela chegou em casa bem novinha, com alguns dias de vida. Soube que o meu amor era incondicional no mesmo segundo que olhei pra ela.

Como vocês contaram para a Juliana que vocês não eram os pais biológicos?

Decidi contar depois de algumas conversas com minha terapeuta na época e, claro, após conversar com meu marido. Ela tinha cinco anos e fiquei surpresa com a sua reação.

Eu chorava muito de emoção e ela, tranquila, dizia: “mamãe, você é uma manteiga derretida”. Ela foi buscar um lenço para secar minhas lágrimas e disse que iria guardá-lo para sempre. Tem como não ser uma manteiga derretida?

A Juliana já perguntou sobre seus pais biológicos?

Os questionamentos começaram a surgir na adolescência, pois é quando os filhos passam a se parecer mais com os pais e ela assumiu ter curiosidade sobre seus pais biológicos. Meu marido se sentia mais inseguro do que eu, mas nós dois não gostávamos de imaginar alguém querendo tirá-la de nós.

Em 2011, decidimos procurar a mãe biológica e marcamos um encontro. Foi emocionante e uma vitória: vi que nosso amor era maior do que tudo, e que nunca perderíamos isso. Também foi um momento legal da Juju poder tirar esta dúvida e saber um pouco sobre sua origem.

Você já enfrentou alguma dificuldade na escola para explicar sobre a adoção?

Nunca. A Ju comentou comigo que alguns coleguinhas perguntavam sobre seus pais biológicos e se ela não tinha curiosidade em conhecê-los, mas ela sempre foi muito segura e nada a afetava.

Quantos anos a Juliana tinha quando você engravidou dos gêmeos?

Ela tinha dois anos e sete meses quando eu fiz a inseminação artificial, que foi o procedimento usado para engravidar do Gui e da Gabi.

Como foi a sensação de descobrir que estava grávida, depois de tentar por tanto tempo?

A sensação foi de alegria e também de medo da gravidez não seguir adiante. Como meu marido era filho único e sempre se queixou por não ter tido irmãos para brincar com ele, não queríamos que a Juju se sentisse da mesma forma. Então foi ótimo, já que ela ganhou dois amiguinhos!

O que você diria para os casais que pensam em adotar uma criança?

É um sentimento maravilhoso, não dá para explicar. Não tem diferença nenhuma entre eles, é como se ela tivesse saído de mim. E todos da nossa família sentem o mesmo porque este é apenas um pequeno detalhe comparado ao amor que sentimos, tanto nós por ela como ela por nós. Não desistam, por mais difícil que seja, porque vale a pena cada dia de sua vida.

* Preços sujeitos a alteração.


Família Matias

Conversamos com o papai Daniel.

Contem um pouco sobre a sua história do casal e sobre os seus filhos.

Temos 12 anos de diferença de idade. Nos conhecemos em um ambiente de trabalho e o Bruno (na época, com 37 anos e, hoje, com 55), sentiu forte atração por mim – na época com 25 anos e hoje com 43.

Foram quatro anos de convivência até que tivesse início o nosso relacionamento amoroso. A aproximação aconteceu de forma suave e respeitosa. Estamos juntos há 18 anos, vivendo sob o mesmo teto.

Temos dois filhos: Antônio (16 anos) e Tiago (10 anos). Bruno já havia assumido, em um relacionamento anterior, a criação de Alessandra (hoje com 24 anos). No início, Alessandra rejeitou a minha presença na casa, pois estava acostumada a ter o pai só para ela. Mas aos poucos fui conquistando a sua confiança e hoje nos damos muito bem!

Vocês sempre quiseram ter filhos?

Bruno, até os 30 anos, afirmava que nunca teria filhos. Ocorreu que Alessandra apareceu em sua vida e ele encantou-se com a paternidade. Eu sempre deixei claro que queria casar, ter filhos e constituir uma família. Então, era um assunto constantemente discutido e planejado.

Quando fomos juntos ao fórum, descobrimos que seria possível a adoção em nome dos dois! Então, o processo iniciou-se.

Por que vocês decidiram adotar?

Víamos algumas vantagens em adotar, mas a principal era a descomplicação. Sem uma mãe biológica que pudesse reivindicar a guarda posteriormente e com a segurança de que o Estado pode nos defender.

Como funciona a lei para a adoção? É muito complicada?

A lei não é complicada, ela é séria. Todo o processo é feito com muita cautela e responsabilidade por parte dos técnicos que, além de nos avaliarem, nos orientaram a respeito das fases pelas quais passaríamos. É necessário comprovar que os pais requerentes terão condições financeiras e afetivas para acolher a criança em um ambiente seguro e saudável.

Como foi o processo de adoção de cada um deles?

A adoção de Antônio foi mais rápida por algumas razões: ele estava com 14 anos no início do processo e, consequentemente, com melhores condições de escolher se toparia ter um casal formado por dois homens como seus pais.

A juíza que cuidou de seu processo também foi muito positiva, tanto na aceitação da nossa candidatura quanto na condução de tudo. Rapidamente Antônio foi liberado para o período chamado de “convivência”, com aproximações gradativas de tempo e de autonomia para o levarmos para refeições conjuntas. Em seguida, passeios curtos. Depois, finais de semana em casa, permissões para passarmos feriados prolongados e o início de acompanhamento de decisões do próprio abrigo quanto à vida acadêmica e condições médicas.

No caso de Tiago, ainda não temos a adoção definitiva, embora tenhamos começado seu processo na mesma época em que começamos o de Antônio. Ocorre que o fórum responsável pelo seu processo é outro.

Tiago tinha 9 anos quando o processo se iniciou e ainda tem pai biológico conhecido. Isso implica em ter que haver um processo anterior de consulta à família sobre a requisição da guarda, com um tempo cauteloso para que eles possam se manifestar (por volta de pelo menos 6 meses). Isso atrasou o período de convivência e, no momento, temos ainda a guarda provisória do Tiago.

Vocês sempre pensaram em adotar mais de um filho?

Desde o princípio do processo de adoção pensamos na possibilidade de adotar dois irmãos. Ao fazermos as primeiras visitas, nos afeiçoamos ao Antônio e ao Tiago e começamos a pensar na hipótese de adotar os dois.

Vocês não tiveram medo de enfrentar o preconceito?

Tivemos e temos. É uma responsabilidade enorme impor aos meninos a convivência e a condição de terem dois pais do mesmo sexo. Durante muito tempo, apesar de ambos quererem adotar um filho homem, hesitamos em tomar essa decisão por medo de os meninos serem alvo de bullying por terem pais gays.

Recentemente tivemos que manejar uma situação no colégio em que um coleguinha do Tiago disse a ele que seus pais eram gays e que, portanto, ele era gay também. Tivemos que ir até o colégio conversar com a coordenação, que conduziu a situação com muito cuidado.

A nosso favor, temos uma vida social bastante intensa, com muitos amigos gays e heteros. Somos muito respeitados em nossa comunidade profissional e todos sabem do nosso relacionamento. Acreditamos que isso oferece uma segurança aos meninos sobre a aceitação desse modelo de família.

Como foi a aceitação da família de cada um de vocês em relação às crianças?

Ambas as famílias aceitaram muito bem os meninos e a relação familiar obviamente ainda está sendo construída. Especialmente porque eles já tinham uma longa história de abrigamento, e ainda estranham um pouco a intensidade das relações familiares.

Algumas crianças têm problemas em aceitar o fato de serem adotadas. Vocês passaram por isso com os meninos?

Tanto a gestora do abrigo quanto sua equipe técnica estavam envolvidas na nossa avaliação e na adaptação dos meninos às nossas vidas. O processo foi todo acompanhado de perto pela gestora e pela assistente social do abrigo. Com isso, nós nos sentimos seguros de que eles, de fato, queriam estar conosco. Acompanhamos as dúvidas iniciais, os conflitos que ocorreram e as soluções deles.

Vocês já enfrentaram alguma dificuldade para criar seus filhos? Qual?

O desconhecimento sobre a história dos meninos mostrou-se uma grande dificuldade quanto ao conhecimento de gostos, predileções, rejeições. Entraram na nossa vida um adolescente e um pré-adolescente, com os conflitos típicos da idade, só que, no início, sem o afeto que a convivência desde cedo nos proporcionaria.

O que vocês diriam para outros casais homoafetivos que desejam adotar uma criança?

Caras, vão em frente! Apesar da espera e das dificuldades, é muito legal. As crianças precisam de nós, e nós, certamente, nos tornamos pessoas melhores do que éramos antes de adotar. O sentimento de família nos ampara e dá sentido à vida.

Lembre-se que a decisão de começar um processo como esse não pode ter volta… não se trata de um produto que, se der defeito, a gente devolve. Há uma pessoa já bastante maltratada pela vida que não pode, de maneira alguma, ser submetida a isso.

* Preços sujeitos a alteração.


Família Dante

Conversamos com a mamãe Márcia.

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Foto: Arquivo pessoal
Contem um pouco sobre a sua história do casal e sobre os seus filhos.

Casei com o Renato muito cedo, eu com 20 anos e ele com 23, após namorarmos por 7 anos. Já sonhávamos em aumentar a família e assim aconteceu: primeiro veio a Paula e, após 1 ano e 4 meses, o João Vitor. Nesta ocasião, optamos por não ter mais filhos.

Abri mão da minha profissão e tornei-me mãe em tempo integral! Passamos por momentos incríveis e por alguns mais difíceis mas, juntos, resistimos a TUDO! Com o tempo, veio uma mudança radical: os dois finalmente chegaram à fase adulta, com as responsabilidades de cada um, a independência e as decisões mais sérias. Hoje a Paula tem 24 anos e João Vitor tem 23 anos.

Mesmo com filhos mais velhos, nos derretemos completamente ao conhecer a Manu, e sabíamos que ela seria nossa filha. Quando decidimos adotá-la, a Paula tinha 23 anos e o João Vitor 22 anos.

Vocês sempre quiseram ter filhos ou esse desejo surgiu em algum momento da vida?

Sempre quisemos ter filhos, fazia parte dos nossos planos desde o tempo de namoro.

Não foi assustador pensar em adotar outra criança depois de ter dois filhos adultos?

Não foi assustador. Quando conhecemos a Manu não pensamos em mais nada…

Por que vocês resolveram adotar a Manu?

Estávamos tranquilos com nossos filhos e não pensávamos em adotar. Até que, um dia, conhecemos a Manu e tudo mudou. Ficamos completamente apaixonados e envolvidos quando a conhecemos e foi esse amor que nos incentivou.

Como foi o processo de adoção?

A Manu foi abandonada ao nascimento. É uma criança especial, nasceu com mielomeningocele e algumas complicações a mais, comprometendo algumas funções físicas e neurológicas. Morou no hospital até um ano e um mês de vida, quando veio para nossa casa. Durante a sua estadia no hospital, o serviço social entrou em contato por diversas vezes com a família biológica, tentando criar um vínculo emocional.

Entraram em contato então com o banco de dados das famílias interessadas em adotar uma criança, tanto no estado de SP como em todo o Brasil. Porém, pelo fato de ser uma criança especial, ninguém mostrou interesse.

Um pouco antes da pequena completar um ano, minha filha mais velha Paula estava cursando o último ano da faculdade de medicina e passando pelo estágio na pediatria. Lá, ela conheceu a “paciente” e dedicou-se aos cuidados com ela. Foi se aproximando, até que eu e o Renato resolvemos conhecê-la. Fomos até o hospital e, como disse acima, nos apaixonamos imediatamente por ela. Ficamos sensibilizados com a história dela e decidimos que tínhamos capacidade pra suprir o que ela precisava. A partir daí, partimos para a parte legal da adoção: visitas ao fórum, entrevistas e assim por diante.

Que cuidados foram necessários quando ela chegou?

Por necessitar de cuidados especiais, tivemos que adquirir e preparar tudo para a vinda dela. Não só com os cuidados básicos, mas com a aquisição de equipamentos apropriados, entre eles: aspirador, inalador, materiais hospitalares, sondas, oxigênio, entre outros.

Ela respira pela Traqueostomia, se alimenta pela Gastrostomia (portanto, a dieta dela é enteral), urina pela Vesicostomia, não tem e não terá controle urinário e fecal. Além disso, tem dificuldade de alguns movimentos com o membro superior esquerdo e paralisia nos membros inferiores. Aprendemos a realizar tudo o que é necessário para a sobrevivência dela. Nos tornamos pais, cuidadores, enfermeiros, guardiões… Mas, acima de tudo, pessoas melhores.

A vinda dela para nossa família fez com que nossa união aumentasse cada. A presença dela nos fez acreditar em milagre, em amor maior, em amor que vence barreiras.

Como você se sente ao olhar para os olhinhos da Manu hoje em dia?

Hoje me sinto plenamente realizada. Digo sempre que ela fez muito mais bem pra nós do que nós pra ela. Chegar em casa e ser recebida pelo sorriso mais sincero e pelos olhinhos mais gratos é indescritível. É nossa força, nosso anjo da guarda e nosso sonho!

O que você diria para os casais que pensam em adotar uma criança?

É impressionante como um ser humano que foi gerado em outro ventre pode ser tão amado, como se fosse biologicamente nosso! Porque o filho adotado foi o filho escolhido, com maturidade, com amor, com doação.

Com certeza nosso mundo estaria um pouco melhor se tivéssemos atitudes menos egoístas. Eu super recomendo: hoje sou uma pessoa muito melhor, muito mais feliz, muito mais completa!

* Preços sujeitos a alteração.

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