O que você sabe sobre o autismo?

O autismo é uma disfunção no desenvolvimento humano que afeta uma em oitenta e oito crianças em todo mundo. Veja mais sobre este tema aqui no blog da Tricae e nos diga se você já teve uma experiência com alguma pessoa autista. Tire suas dúvidas e veja a melhor forma de lidar com uma pessoa que tenha este distúrbio.

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Autismo header - Tricae
Foto: Shutterstock

O autismo ainda é um tema que poucos conhecem profundamente. Grande parte das pessoas acreditam que este distúrbio é uma deficiência mental e o confundem com a Síndrome de Down, por exemplo. Porém, o autismo em nada se parece com esta síndrome, a não ser no fato de que ambas afetam o cérebro e impedem os portadores de terem uma vida social normal.

Em 2013, a novela Amor à Vida trouxe a personagem Linda que era autista. Mostrando que pessoas com o distúrbio podem conviver com outras pessoas e ter relações, o debate levantado no momento gerou conscientização sobre o tema. De lá para cá, apesar do sucesso que a personagem representou, muitas questões e tabus ainda perduram em nossa sociedade. O autismo é uma disfunção do desenvolvimento humano que afeta a capacidade do indivíduo de se comunicar e estabelecer relacionamentos. Afeta também o comportamento e as respostas da pessoa portadora em relação ao ambiente. Por isso, no caso das crianças, é necessário um acompanhamento regular de um especialista. Para o tratamento, jogos educativos e outras atividades são ideais para tentar aproximar estas pessoas da realidade dos demais indivíduos.

O que é Autismo

O autismo é um termo utilizado para descrever uma série de transtornos relacionados ao desenvolvimento do cérebro, conhecidos como “Transtornos do Espectro Autista” ou TEA. Tais transtornos afetam as capacidades sociais dos indivíduos que os possuem. Pessoas com tais transtornos apresentam dificuldade em compreender normas de convívio social, como a comunicação verbal, não verbal e a intencionalidade das outras pessoas quando sorriem ou alteram o tom de voz.

Os sintomas, em geral, permanecem durante toda a existência do portador. Isso significa que a pessoa e aqueles que a cercam precisam aprender a conviver e “regular” estes transtornos. Há diversos níveis de autismo, sendo possível levar uma vida relativamente normal àqueles que apresentam sintomas mais leves. Nos casos de sintomas graves, as pessoas são incapazes de cuidar de si mesmas e necessitam de uma intervenção o mais precoce possível. Apesar de não haver um motivo conhecido, é sabido que o autismo afeta mais os meninos do que meninas.

 

Autismo infantil - TricaeAutismo Infantil

O autismo é geralmente diagnosticado entre os 2 e 3 anos de idade. Em geral, o sintoma que leva a esta descoberta é a dificuldade na comunicação da criança. Além disso, a socialização e comportamento diferem muito de uma pessoa dita “normal”. Outro fator que pode colaborar para um diagnóstico assertivo é a resistência por parte da criança em manter um contato visual. Pela dificuldade em criar um mundo de faz de conta, as crianças com autismo têm dificuldade para brincar. Em grupos, onde há socialização e uma imersão coletiva neste universo imaginário, a dificuldade aumenta.

As causas do autismo não são claras, mas seu desenvolvimento pode estar ligado a alguns fatores como: herança genética; fatores ambientais, como complicações ao longo da gestação; alterações bioquímicas como o alto nível de serotonina no sangue; anormalidade do cromossomo 16 e etc. Ainda com essas indicações é muito difícil identificar a causa do autismo. Porém, no caso das crianças, é importantíssimo que o autismo seja descoberto o mais rápido possível para iniciar o tratamento.

Sintomas de Autismo

O autismo é notado, em geral, à partir de dois ou três anos de idade e há algumas características que podem evidenciar o distúrbio. Os sintomas ajudam os médicos e responsáveis a identificar o grau do autismo, que podem ser divididos em três grupos:

1- Ausência de contato interpessoal e dificuldade ou incapacidade de aprender a falar. Movimentos repetitivos e estereotipados, como empilhar latas sem nenhum motivo aparente, por exemplo.

2- Resistência em manter contato visual com pessoas, fala pouco desenvolvida e pouco utilizada como ferramenta de comunicação.

3- Este grupo é o que apresenta os menores sinais de autismo, já que possuem compreensão e domínio da linguagem, inteligência normal ou superior as demais pessoas. Pessoas com o grau três conseguem levar uma vida quase normal e são autossuficientes. Há apenas uma dificuldade em se relacionar com as outras pessoas, porém, esta dificuldade pode ser contornada com os tratamentos indicados.

Em casos graves, é fundamental que toda a família passe por consultas e orientações especializadas a fim de buscar uma forma de estabelecer uma comunicação com o indivíduo. Manter uma rotina também é importante, pois qualquer alteração é muito significativa na vida desta pessoa. Em alguns casos, pessoas autistas têm uma inteligência acima do normal em determinadas áreas do conhecimento, podendo até ser consideradas “gênios”, com um Q.I. bastante elevado.

Autismo e EducaçãoAutismo e educação - Tricae

Embora seja complicado educar uma criança autista, é possível fazer com que ela aprenda e consiga levar uma vida quase normal. O primeiro passo é desenvolver um programa de ensino focado na criança, abordando seus problemas individuais. Incentivar a fala e a compreensão do idioma, estimular habilidades sociais e cotidianas e atuar através de estratégias que desenvolvam a capacidade da criança autista de se integrar a outras crianças.

Criar situações que simulem o cotidiano da criança ajudam a despertar seu interesse, fazer o uso de bonecos para representar a família e incentivar a investigação de pistas e sinais referentes à comunicação não verbal são ótimas estratégias para estimular um autista a compreender o mundo das demais pessoas.

Compreensão e inclusão

O mais importante para um autista é a inclusão. Com amor e paciência é possível atingir este objetivo, pois as dificuldades podem ser contornadas. Em alguns casos, no entanto, é quase impossível que um autista leve uma vida normal, pois ele dependerá de auxílios durante toda a vida – mas é possível que ele leve uma vida menos isolada das demais pessoas.

Há diversos programas que visam essa inclusão em nossa sociedade. Cada um tem uma função e necessitam do apoio dos familiares para que os resultados sejam significativos. Os principais programas são:

Análise de Comportamento Aplicada (ABA) – Este programa busca ampliação e aquisição de comportamentos inexistentes por parte do autista, como redução de comportamentos repetitivos, buscando construir um repertório comportamental que seja aceito por diversos ambientes e pessoas, o que gera um inclusão escolar, profissional e social.

Terapia Ocupacional – Trabalha com ha
bilidades cognitivas, físicas e motoras, auxiliando a pessoa a se tornar independente e mais produtiva. Em relação às crianças, o objetivo é estimular a brincadeira e o aprender, bem como habilidades relacionadas a vida diária (comer, se vestir, usar o banheiro e etc.). Para isto, utiliza-se jogos educativos e outras formas de estimular o autista.

Sistema de Comunicação por Troca de Figuras – Este programa visa permitir que a criança com pouca ou nenhuma habilidade verbal se comunique através de figuras. Este tipo de tratamento pode ser usado em diversos ambientes, como em casa, na escola e etc.

Você conhece algum autista? Como é a convivência dele com sua família e outras pessoas? Deixe abaixo as suas experiência e opiniões, pois é importante para todos saberem como é a vida de uma pessoa que possuí este transtorno e como este problema afeta uma família.

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